sexta-feira, 29 de julho de 2011

Calçado Cansado

Já calcei o sapato bonito. Já coloquei no rosto meu melhor sorriso estampado.
Com tudo isso quase morri, mesmo assim, quase morri.
Tenho usado meu calçado cansado, tenho sorrido menos. Não posso ficar vestido assim, mas também não posso correr o risco de perambular por aquelas ruas, aquelas que não eram feitas de pedrinhas bonitas.

"... E são tantas marcas que já fazem parte do que eu sou agora, mas ainda sei me virar..."
(Herbert Vianna, in "Lanterna dos Afogados")

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Cretino extinto

Podemos chamá-lo de nada, de tudo ou de quase alguma coisa desde que ao menos o tenhamos tido, estado com ele, vivido por ele em alguns instantes de nossa própria vida. Passado pelo seu estado de não saber ser, não entender o sentir. É só viver para poder saber que nem sempre é um bom amigo, mas sempre estará ali. Cretino instinto esse nosso de querer amar.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Daquilo, sabe...

O que se deve fazer quando a música da caixinha bonita de música parou de tocar? Quebrou.
O que devemos fazer quando o sonho não é mais sonhado e lembrado após o nosso despertar? Noites mal dormidas.
Qual ingrediente que reúne a cura para a falta de gosto nas coisas? Estômago machucado.
O que você faz quando teme algo que se passa dentro de você, sem ordem, só vem com tudo te arrombando a porta e tomando sua paz? Intuição.
Como se faz para olhar sem lembrar, sem sentir? Choro insistente.
Me conte como sair, caminhar, chegar perto? Repulsa.
Onde se firmar, ficar mais forte? Alma cansada.

O "o que", o "qual" e o "como" de tudo isso eu não sei, só posso deixar. Deixar para ver o que dá, se dá e que de mim ainda existe nisso tudo.